Por que praticar?

Comecemos com uma constatação: é praticamente impossível tornar-se proficiente em uma atividade mental avançada sem praticar extensivamente.

Uma outra maneira de entendermos isso é lembrar que o conhecimento não se constrói a partir do vazio. Não se faz Álgebra sem conhecer as quatro operações e suas propriedades. Não se faz Análise Sintática sem conhecer Morfologia. Não se discute Política Internacional sem conhecer História e Geografia básicas. Ninguém chega a uma Olimpíada sem antes passar pelas aulinhas de Educação Física, ou ao UFC sem treinar na academia da esquina. É interessante como ninguém ousaria enfrentar o Júnior Cigano sem vários anos de treino, mas muitos imaginam que podem passar em provas e concursos sem uma longa preparação.

A prática se destina a propiciar a competência necessária em cada nível de aprendizado para, aí, se passar à próxima etapa e expandir as habilidades. A prática reforça as habilidades básicas para a aprendizagem de novas aptidões. A prática extensiva permite a automatização dos processos mentais básicos, liberando a atenção para as tarefas mais complexas. É como aquele movimento do judô que é repetido milhares de vezes até ficar instintivo – durante a luta não se tem tempo de pensar qual perna mover para impedir o golpe do adversário. Quem ficar pensando, leva o ippon.

Existe uma razão biológica para isso: nossa memória de trabalho, que guarda aquilo que estamos fazendo no momento corrente, é muito pequena. A prática faz com que, ao termos internalizado os processos básicos, passemos a usar a memória de longo prazo, liberando a memória de trabalho.

Um exemplo banal: como comparar a área de um quadrado (4 x 4) com a de um retângulo (3 x 5) sem saber a tabuada e noções de geometria?

Em suma, praticar permite reduzir a carga de trabalho consciente, facilitando e acelerando enormemente a solução do problema que estamos enfrentando.

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