2023 e as novidades científicas de 2022

Chegou 2023! Por aqui estamos ansiosos pelas novidades que ele nos trará. Enquanto aguardamos, tratamos de lembrar das descobertas científicas que 2022 nos trouxe, com base em um texto de David Szondy, do New Atlas, cujo link fica ao final deste post. Desejamos a todos um feliz ano novo, próspero de realizações e descobertas ainda mais fascinantes!

2022 foi mais um ano abundante para descobertas, recordes e inovações para a ciência, em campos que vão desde a concepção até a morte, com algumas ondas estranhas e corações de peixes pré-históricos incluídos em boa medida. O New Atlas analisou o ano da ciência em 2022 e selecionou algumas das histórias mais interessantes para enfeitar nossas páginas.

Neste ano viu-se uma série de estreias, e a maior delas foi o anúncio do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) do Departamento de Energia dos EUA de que havia alcançado um avanço na busca por energia de fusão comercial. Em 5 de dezembro, a National Ignition Facility (NIF) da agência usou 192 lasers focados em uma pequena esfera de isótopos de hidrogênio para produzir uma reação de fusão que gerou mais energia do que foi bombeada para ela.

Em abril, o spin-off First Light Fusion da Universidade de Oxford também demonstrou fusão mensurável, usando projéteis de alta velocidade atingindo alvos em queda especialmente projetados com pastilhas de combustível embutidas neles.

O poder de fissão pode parecer algo do século 20, mas a tecnologia ainda está evoluindo, como demonstra o reator nuclear modular de quarta geração da NuScale, que se tornou o primeiro projeto de reator modular pequeno (SMR) a obter a aprovação da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, aumentando a promessa de usinas nucleares mais baratas e escaláveis que podem ser adaptadas às necessidades locais, com reatores produzidos em massa e a baixo custo.

Na área da energia convencional, pesquisadores da Universidade de Stavanger, na Noruega, afirmam ter construído uma microturbina a gás que pode funcionar com 100% de hidrogênio em vez de uma mistura de gás natural com hidrogênio.

Enquanto isso, o Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA (NRL) demonstrou que seu sistema Safe and Continuous Power Beaming – Microwave (SCOPE-M) pode transmitir 1,6 kW de potência por uma distância de mais de um quilômetro no Campo de Pesquisa do Exército dos EUA em Maryland, abrindo a possibilidade de um dia transmitir energia para a Terra a partir de usinas solares orbitais.

O spin-off do MIT, Quiase, está aplicando a tecnologia de energia de fusão de uma maneira inesperada. Em vez de tentar fundir átomos de hidrogênio para gerar energia, a empresa quer usar a tecnologia de feixe de girotron originalmente desenvolvida para programas de fusão para fazer furos de até 20 km de profundidade para explorar as enormes reservas de energia geotérmica da Terra. Quaise diz que tem um plano e a tecnologia para perfurar mais profundamente do que nunca e desbloquear o vasto poder geotérmico da Terra para realimentar usinas elétricas movidas a combustíveis fósseis com energia verde.

Na área da medicina, um ensaio clínico do Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha realizou as primeiras transfusões de células sanguíneas cultivadas em laboratório a partir de células-tronco para pacientes humanos. Isso não apenas abre a perspectiva de aliviar a escassez de sangue, eliminando a necessidade de doadores, mas também pode levar a um melhor tratamento para condições em que é difícil encontrar doadores compatíveis.

Outra novidade médica veio da UC Davis Health, na Califórnia, onde os primeiros ensaios clínicos do mundo de um tratamento com células-tronco para espinha bífida no útero terminaram em três nascimentos saudáveis, com mais 33 esperados.

Também ocorreu, em janeiro, no Centro Médico da Universidade de Maryland, o primeiro transplante de coração de porco para humano nos Estados Unidos. O coração de porco fornecido pela empresa de medicina regenerativa Revivicor foi geneticamente modificado para reduzir a ameaça de rejeição de tecidos e aumentar a esperança de um dia eliminar a atual escassez crônica de doadores humanos compatíveis.

De volta ao campo da energia renovável, a China estabeleceu um novo recorde mundial para a maior planta de armazenamento de energia de ar comprimido (CAES), quando a Academia Chinesa de Ciências conectou seu sistema CAES avançado de 100 MW à rede elétrica nacional chinesa. A nova usina supostamente armazena até 400 MWh de energia, o suficiente para abastecer até 60.000 residências.

Nas ciências dos materiais, uma liga simples de cromo, cobalto e níquel (CrCoNi) desenvolvida por uma equipe liderada pelo Berkeley Lab reivindicou o título de material mais resistente já registrado. Não é apenas incrivelmente resistente, mas tem alta resistência e ductilidade que, curiosamente, melhora em temperaturas mais frias.

Uma equipe liderada por pesquisadores da Curtin University, na Austrália, descobriu o coração mais antigo conhecido. Com 380 milhões de anos de idade, o coração fossilizado, juntamente com um estômago, intestino e fígado fossilizados, pertenciam a um antigo peixe com mandíbula, e o coração estava notavelmente bem preservado em três dimensões.

Um recorde bastante alarmante foi anunciado pelo MarineLabs do Canadá, cuja rede CoastAware registrou uma onda traiçoeira cuja ocorrência acredita-se ser de “uma vez em um milênio” na costa de Ucluelet, na ilha de Vancouver, em novembro de 2020. A onda atingiu uma altura de 17,6 m, o que a tornava um gigante de quatro andares da qual qualquer marinheiro são preferiria ficar longe.

Outro recorde alarmante vem da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que certificou o raio mais longo de todos os tempos. Detectado por satélite em abril de 2020, o raio gigante mediu 768 km de comprimento.

Uma boa notícia científica vem do Reino Unido, onde uma adolescente se tornou a primeira pessoa a ter sua leucemia efetivamente curada por meio de uma nova e revolucionária terapia de edição de genes que adiciona várias novas modificações às células T fornecidas por um doador saudável. Alyssa foi diagnosticada com leucemia de células T em meados de 2021, e após esgotar todas as terapias atuais, estava a caminho dos cuidados paliativos. Agora, seis meses após o tratamento experimental, ela está em plena remissão.

Se você já se perguntou como os humanos aprenderam a andar, uma nova resposta vem de cientistas da University College London, da University of Kent e da Duke University, na Carolina do Norte, que estudaram chimpanzés e concluíram que os primeiros hominídeos podem ter andado eretos movendo-se por entre as árvores. Apesar de viverem em um ambiente misto de floresta e pastagem, os chimpanzés observados no estudo passaram tanto tempo nas árvores quanto os chimpanzés que vivem em florestas tropicais.

Na pesquisa de moluscos, cientistas da Universidade de Sydney descobriram que os polvos são uma das poucas criaturas na Terra que arremessam coisas, embora sua mira não seja tão boa.

Em Israel, o Weizmann Institute of Science criou embriões sintéticos de camundongos a partir de células-tronco em vez de óvulos, esperma, ou até mesmo de um útero. Esta abordagem não tradicional abre caminho para tratamentos médicos avançados e o potencial para cultivar órgãos para transplante.

Para não ficar para trás, o “produtor, cineasta e comunicador de ciência” Hashem Al-Ghaili, que vive em Berlim, lançou seu projeto visionário chamado EctoLife Artificial Womb Facility, em que os bebês são incubados em úteros artificiais sem a necessidade de uma mãe. Pode parecer uma página do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, mas levanta algumas questões interessantes sobre a avaliação de uma nova tecnologia antes que ela chegue ao mercado.

No outro extremo do espectro vital, neurocientistas organizados pela Universidade de Louisville fizeram o primeiro registro da atividade de um cérebro humano moribundo. Os padrões de ondas cerebrais parecem ser semelhantes aos associados aos sonhos, recordação da memória e meditação. As descobertas vêm com muitas ressalvas, mas abrem alguns tópicos interessantes para discussão.

Confira o texto de David Szondy, na íntegra, no New Atlas, através deste link.

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